A Polícia Federal prendeu hoje (5/10) o presidente do Comitê Olímpico
Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, e o diretor-geral do Comitê
Organizador Rio 2016, Leonardo Gryner. Os dois são investigados por
envolvimento num suposto esquema de compra de votos no Comitê Olímpico
Internacional (COI) para a escolha dos Jogos Olímpicos do Rio de
Janeiro.
De acordo com o Ministério Público Federal, a prisão
temporária de Nuzman e Gryner é importante para permitir que o
patrimônio seja bloqueado e para impedir que ambos continuem atuando,
seja criminosamente, seja na interferência da produção probatória.
Nuzman foi preso em casa, no Alto Leblon, zona sul do Rio.
Além
dos mandados de prisão, foram cumpridos mandatos de busca e apreensão
nas casas e empresas de Nuzman e Gryner e a quebra de sigilo telemático.
Segundo
o MPF, nos últimos 10 dos 22 anos de presidência do COB, Nuzman ampliou
seu patrimônio em 457%, sem indicação clara de seus rendimentos, além
de manter parte de seu patrimônio oculto na Suíça.
Em razão das
proporções mundiais do fato, o MPF requer, ainda, pelos danos morais
causados, o bloqueio do patrimônio de Nuzman e Gryner em até R$ 1
bilhão.
A Operação Unfair Play foi resultado do trabalho conjunto
de cooperação internacional entre os órgãos do Brasil, da França, da
Antígua e Barbuda, dos Estados Unidos e do Reino Unido.
Segundo o
MPF, documentos e provas revelam que uma organização criminosa
comandada pelo ex-governador Sérgio Cabral comprou o voto do presidente
da Federação Internacional de Atletismo, o senegalês Lamine Diack, por
US$ 2 milhões.
O pagamento pelos votos veio da empresa Matlock
Capital Group, do empresário Arthur Soares, conhecido como Rei Arthur,
que teria repassado a propina que pagaria a Sérgio Cabral diretamente
para o senegalês, em troca dos votos pela escolha da cidade-sede das
Olimpíadas de 2016.
Nuzman e Gryner, considerado braço direito do
presidente do COB, foram, segundo o MPF, figuras centrais no esquema,
já que teriam sido os agentes responsáveis por unir pontas interessadas,
fazer os contatos e azeitar as relações para organizar o mecanismo do
repasse de propinas de Sérgio Cabral diretamente a membros africanos do
COI. Eles serão indiciados por corrupção, lavagem de dinheiro e
organização criminosa.
Às 11h haverá entrevista na sede da
Superintendência da Polícia Federal na Praça Mauá, no Rio, para explicar
os motivos da operação.
Com agenciabrasil
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